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Perfeccionismo: quando querer fazer tudo bem começa a fazer mal

Foto do escritor: Carolina Braz
Carolina Braz
4 de set.
6 min de leitura
Mulher exigente consigo mesma

Você costuma sentir que poderia ter feito melhor?


Mesmo quando recebe um elogio, sua atenção vai diretamente para aquilo que faltou, que poderia ter sido diferente ou que não saiu exatamente como imaginava?


Talvez você seja uma pessoa responsável, dedicada e exigente consigo mesma. Talvez as pessoas ao seu redor até reconheçam isso.


Mas, internamente, existe uma sensação persistente de que nunca é suficiente.


O problema é que o perfeccionismo nem sempre se apresenta como uma busca evidente pela perfeição. Muitas vezes, ele aparece como autocobrança, medo de errar, dificuldade de descansar ou sensação de que você precisa dar conta de tudo.


E, aos poucos, aquilo que parecia ser uma qualidade pode começar a cobrar um preço alto.


O que é perfeccionismo?


Ser cuidadosa, gostar de fazer as coisas bem e ter objetivos elevados não significa, por si só, ser perfeccionista.


O perfeccionismo se torna problemático quando o padrão que você estabelece para si mesma é tão rígido que dificilmente consegue se sentir satisfeita com o que faz.


É como se existisse uma regra interna:


"Se eu fizer, preciso fazer direito."


Ou:


"Se eu posso fazer melhor, então ainda não está bom."


Em alguns casos, o próprio valor pessoal acaba ficando excessivamente ligado ao desempenho.


"Se eu for competente, sou boa."


"Se eu errar, decepcionarei as pessoas."


"Se eu não conseguir, significa que não sou capaz."


É nesse ponto que o perfeccionismo pode deixar de ser apenas uma característica e começar a gerar sofrimento.


"Mas eu só quero fazer as coisas bem"


Essa é uma das dificuldades para reconhecer o perfeccionismo.


A pessoa pode pensar:


"Eu simplesmente sou exigente."


E, de fato, pode existir uma parte saudável nessa exigência.


A pergunta importante é: o que acontece quando você não consegue fazer tudo perfeitamente?


Você consegue pensar "não ficou como eu gostaria, mas está bom"?


Ou começa a se criticar, refazer, revisar, comparar e pensar no que deveria ter feito diferente?


Você consegue descansar depois de cumprir suas responsabilidades?


Ou sente que sempre existe alguma coisa que deveria estar fazendo?


Você consegue aceitar um erro?


Ou passa horas pensando nele?


A diferença não está apenas no nível de exigência, mas na flexibilidade para lidar com resultados imperfeitos.


Ciclo de autocobrança e perfeccionismo

Quando o perfeccionismo vira autocobrança


O perfeccionismo pode criar uma espécie de meta que está sempre se afastando.


Você termina um projeto e pensa no que poderia ter melhorado.


Resolve uma situação difícil e imediatamente começa a pensar na próxima.


Recebe um elogio, mas lembra daquele detalhe que não saiu bem.


Conquista alguma coisa importante, mas sente que já deveria estar em outro lugar.


E, assim, mesmo quando você faz muito, existe pouco espaço interno para reconhecer o que fez.


A sensação pode ser:


"Eu sei que faço bastante, mas parece que nunca é o suficiente."


Esse funcionamento pode estar associado à ansiedade, ao sofrimento emocional e a níveis elevados de autocobrança. O perfeccionismo não é um diagnóstico por si só, mas pode participar da manutenção de diferentes dificuldades psicológicas.


O medo de errar pode ser maior do que parece


Para algumas pessoas, errar não significa simplesmente cometer um erro.


Significa sentir que decepcionou alguém.


Que não é competente o suficiente.


Que será julgada.


Que perdeu o controle.


Que deveria ter previsto o problema.


Ou que não é tão boa quanto imaginava.


Por isso, o medo de errar pode levar a comportamentos como revisar excessivamente, adiar tarefas, evitar situações novas ou tentar antecipar todas as possibilidades.


Pode parecer contraditório, mas o perfeccionismo também pode levar à procrastinação.


Quando fazer algo significa correr o risco de não fazer perfeitamente, começar pode se tornar difícil demais.


Perfeccionismo e ansiedade: uma relação frequente


A necessidade de acertar, prever problemas e evitar erros pode manter a mente em constante estado de alerta.


"Será que ficou bom?"


"E se eu tiver esquecido alguma coisa?"


"E se eu fizer errado?"


"E se perceberem que eu não sei?"


"E se eu decepcionar alguém?"


O problema é que nenhuma resposta costuma ser suficiente por muito tempo.


Você confere novamente.


Pede confirmação.


Refaz.


Pesquisa mais.


Pensa mais um pouco.


E sente um pequeno alívio.


Mas logo aparece outra dúvida.


É assim que a busca por segurança pode acabar alimentando ainda mais a ansiedade.


Quando o perfeccionismo chega aos relacionamentos


O perfeccionismo também pode aparecer na vida afetiva.


Talvez você sinta que precisa ser uma boa parceira, uma boa mãe, uma boa filha, uma boa profissional — tudo ao mesmo tempo.


Pode ter dificuldade de decepcionar alguém ou de dizer "não".


Pode assumir responsabilidades que não são apenas suas.


Pode evitar conversas difíceis para não cometer erros.


Ou exigir de si mesma uma espécie de "desempenho" dentro do relacionamento.


E existe outra possibilidade: cobrar do relacionamento, do parceiro ou de si mesma um padrão tão alto que a vida real dificilmente consegue acompanhar.


Relacionamentos, afinal, também envolvem diferenças, falhas, frustrações e momentos em que ninguém sabe exatamente o que fazer.


E na sexualidade?


O perfeccionismo também pode interferir na vida sexual.


Quando a relação sexual passa a ser percebida como algo que precisa "dar certo", o foco pode sair das sensações e ir para o desempenho.


"Estou demorando demais?"


"Será que ele está gostando?"


"Eu deveria estar mais excitada."


"Preciso chegar ao orgasmo."


"Será que meu corpo está bonito?"


"Será que estou fazendo certo?"


Em vez de viver a experiência, você começa a observá-la.


E quanto mais atenção vai para a avaliação do próprio desempenho, mais difícil pode ser simplesmente estar presente.


Por isso, em alguns casos, trabalhar uma dificuldade sexual também significa trabalhar a relação com a própria exigência e com a necessidade de fazer tudo "do jeito certo".


Como saber se meu perfeccionismo está me fazendo mal?


Não é necessário abandonar sua ambição, sua organização ou seu desejo de fazer as coisas bem.


O ponto é perceber se a exigência está ajudando você a se aproximar daquilo que valoriza — ou se está fazendo você viver constantemente sob pressão.


Algumas perguntas podem ajudar:

  • Consigo reconhecer quando fiz algo bem?

  • Consigo aceitar que algo fique apenas "bom o suficiente"?

  • Tenho dificuldade de descansar sem culpa?

  • Evito fazer coisas novas por medo de não ser boa?

  • Um erro pequeno pode estragar a percepção que tenho de todo o meu desempenho?

  • Tenho dificuldade de receber críticas sem me sentir profundamente inadequada?

  • Sinto que preciso dar conta de tudo?

  • Costumo me cobrar mais do que cobraria outra pessoa na mesma situação?


Se você se reconheceu em várias dessas perguntas, talvez valha a pena olhar para esse padrão com mais cuidado.


Pessoa aceitando um resultado imperfeito com mais leveza

É possível ser menos perfeccionista?


Sim — mas o objetivo não é deixar de se importar com as coisas.


É desenvolver mais flexibilidade.


Aprender que algo pode ser importante sem precisar ser perfeito.


Que um erro não define sua competência.


Que descansar não significa ser preguiçosa.


Que decepcionar alguém eventualmente não significa ter falhado como pessoa.


E que você pode fazer o seu melhor sem precisar transformar cada situação em uma prova do seu valor.


Na psicoterapia, podemos investigar de onde vêm essas exigências, quais pensamentos e crenças mantêm esse padrão e como construir uma relação mais equilibrada com desempenho, erros, expectativas e autocobrança.


Talvez você não precise fazer melhor. Talvez precise se cobrar menos.


Para algumas pessoas, essa mudança parece pequena.


Mas aprender a reconhecer limites, tolerar imperfeições e aceitar que nem tudo precisa ser otimizado pode abrir espaço para algo que o perfeccionismo costuma deixar em segundo plano:

viver.


Sem precisar transformar cada escolha, relacionamento, tarefa ou experiência em uma avaliação sobre quem você é.


Se você se reconheceu neste texto, entre em contato e agende uma consulta.


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Perguntas frequentes sobre perfeccionismo


Perfeccionismo é uma doença?

Não. O perfeccionismo, isoladamente, não é um diagnóstico psicológico. Ele pode, porém, estar associado a sofrimento emocional e participar da manutenção de dificuldades como ansiedade, depressão, procrastinação e baixa autoestima.


Qual é a diferença entre perfeccionismo e querer fazer as coisas bem?

Uma pessoa pode ter padrões elevados e, ainda assim, conseguir lidar com erros e resultados que não saem exatamente como esperado. No perfeccionismo disfuncional, existe maior rigidez e uma tendência a associar erros ou resultados abaixo do ideal ao próprio valor pessoal.


Perfeccionismo causa ansiedade?

O perfeccionismo não é necessariamente a causa da ansiedade, mas padrões perfeccionistas podem contribuir para preocupação, autocobrança e medo de errar, especialmente quando existe uma necessidade intensa de evitar falhas ou avaliações negativas.


Perfeccionismo pode causar procrastinação?

Pode. Quando existe uma expectativa muito elevada sobre o resultado, começar uma tarefa pode provocar medo de não conseguir fazê-la suficientemente bem. Adiar pode funcionar, então, como uma maneira temporária de evitar esse desconforto.


Como tratar o perfeccionismo?

A psicoterapia pode ajudar a identificar padrões de pensamento, regras internas e comportamentos que mantêm a autocobrança, além de desenvolver maior flexibilidade diante de erros, incertezas e resultados imperfeitos. A Terapia Cognitivo-Comportamental é uma das abordagens estudadas para o trabalho com padrões perfeccionistas.


Quando procurar ajuda psicológica?

Quando a autocobrança começa a gerar sofrimento ou interfere no sono, trabalho, relacionamentos, autoestima, capacidade de descansar ou qualidade de vida, pode ser importante buscar uma avaliação psicológica.


Referências científicas

  • Egan, S. J., Wade, T. D., & Shafran, R. (2011). Perfectionism as a transdiagnostic process: A clinical review. Clinical Psychology Review, 31(2), 203–212.

  • Limburg, K., Watson, H. J., Hagger, M. S., & Egan, S. J. (2017). The relationship between perfectionism and psychopathology: A meta-analysis. Journal of Clinical Psychology, 73(10), 1301–1326.

  • Shafran, R., Egan, S. J., & Wade, T. D. (2010). Overcoming Perfectionism: A self-help guide using cognitive behavioural techniques. Robinson.


Este texto tem caráter informativo e não substitui uma avaliação psicológica individualizada.

 
 
 

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